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    Como importar da China: guia para empresas brasileiras

    Entenda como importar da China legalmente, encontrar fornecedores, calcular custos, habilitar sua empresa e escolher a melhor modalidade de importação.

    28 Set 2026 11 min de leitura
    Por Eduardo Mascena | Redação· Publicado em
    Como importar da China: porto com navio cargueiro, contêineres com bandeiras do Brasil e da China e rotas comerciais entre os dois países

    Importar da China pode ampliar margens, diversificar fornecedores, trazer novos produtos ao portfólio e abrir espaço para soluções que ainda não estão amplamente disponíveis no mercado brasileiro.

    Mas uma importação empresarial não começa no momento em que a mercadoria embarca.

    Antes de fechar um pedido, é necessário avaliar fornecedor, produto, classificação fiscal, impostos, frete internacional, exigências administrativas, documentação e o custo real da mercadoria colocada no Brasil.

    Por isso, entender como importar da China é o primeiro passo para transformar uma oportunidade comercial em uma operação sustentável — e é exatamente nesse ponto que uma assessoria de comércio exterior faz diferença.

    Quem pode importar da China para revender no Brasil?

    Para uma operação com finalidade comercial, a empresa deve estar devidamente constituída e com o CNPJ regular.

    A Receita Federal estabelece que mercadorias importadas para revenda, prestação de serviços ou industrialização por meio de encomendas internacionais devem ser destinadas a pessoa jurídica. A legislação não permite que uma pessoa física utilize importações cuja quantidade, frequência, natureza ou variedade indiquem finalidade comercial ou industrial, salvo exceções específicas previstas nas normas.

    Na prática, antes de iniciar uma operação, também é importante verificar se o objeto social, CNAEs, inscrições e estrutura tributária da empresa estão adequados à atividade que será realizada.

    Ou seja: importar para consumo próprio e importar produtos da China para revenda são situações diferentes.

    Fonte: Receita Federal — Serviços e Informações do Brasil

    Habilitação no Siscomex: o chamado RADAR

    Um dos primeiros termos encontrados por quem pesquisa como importar da China é o famoso "RADAR".

    Hoje, tecnicamente, o procedimento é a habilitação da empresa e de seus responsáveis para operar no Siscomex, sistema utilizado para registrar e acompanhar operações brasileiras de comércio exterior.

    Em regra, uma pessoa jurídica precisa estar previamente habilitada para realizar operações de importação e exportação pelo sistema. O processo pode ser solicitado pelo Portal Único Siscomex e, conforme o enquadramento, a empresa pode ser classificada nas modalidades expressa, limitada ou ilimitada.

    Portanto, quando alguém fala em "tirar o RADAR", normalmente está se referindo a preparar a empresa para operar regularmente no Siscomex.

    Fonte: Portal Único Siscomex — Serviços e Informações do Brasil

    Como encontrar fornecedores confiáveis na China?

    Depois da preparação da empresa, começa uma das etapas mais importantes: encontrar o fornecedor certo.

    Plataformas B2B, como o Alibaba, facilitam a pesquisa inicial de fabricantes e distribuidores chineses. Dentro da própria plataforma existem fornecedores identificados como Verified Supplier, cuja estrutura e determinadas informações são avaliadas por empresas terceiras de inspeção.

    Segundo o Alibaba, empresas como SGS, TÜV Rheinland e Intertek podem participar desse processo de verificação. A plataforma também disponibiliza relatórios de avaliação de determinados fornecedores.

    Mas há uma diferença importante:

    Fornecedor verificado não significa operação sem risco.

    A análise deve considerar histórico da empresa, capacidade produtiva, certificações, amostras, condições comerciais, prazo de fabricação, qualidade, referências, documentação e compatibilidade do produto com as exigências brasileiras. É exatamente esse o trabalho do desenvolvimento de fornecedores e da inspeção pré-fábrica.

    Quando o volume ou a importância da negociação aumenta, uma visita presencial à fábrica ou um encontro direto com o fornecedor pode trazer informações que dificilmente aparecem em uma conversa online. É justamente por isso que feiras como a Canton Fair se tornaram relevantes para empresas que querem desenvolver fornecedores diretamente na origem.

    Fonte: Alibaba.com Seller Central

    Antes de comprar, descubra o custo real da importação

    Um dos erros mais comuns ao importar produtos da China é comparar apenas o preço informado pelo fornecedor.

    O preço FOB ou EXW é apenas uma parte da operação.

    Antes de confirmar o pedido, é necessário reunir informações como quantidade, valor unitário, peso bruto e líquido, dimensões, cubagem, país de origem, modalidade de transporte, Incoterm negociado e classificação fiscal do produto.

    Com esses dados é possível estimar frete internacional, seguro, armazenagem, despesas aduaneiras, transporte nacional e tributos — o trabalho de um estudo de viabilidade completo.

    A Receita Federal mantém um simulador que permite consultar o tratamento tributário e administrativo da importação a partir das características da operação e da classificação NCM. O sistema também pode indicar restrições, proibições ou necessidade de atuação de órgãos anuentes.

    É por isso que uma boa compra internacional não deve ser avaliada simplesmente por:

    "Quanto custa na China?"

    A pergunta correta é:

    "Quanto esse produto custará colocado no meu estoque no Brasil?"

    Fonte: Receita Federal — Serviços e Informações do Brasil

    A classificação NCM pode mudar toda a operação

    A Nomenclatura Comum do Mercosul, conhecida como NCM, identifica fiscalmente o produto importado.

    Essa classificação influencia alíquotas, exigências administrativas, licenças, certificações e outros controles aplicáveis à mercadoria.

    Dependendo do produto, podem existir exigências de órgãos como Anvisa, Inmetro, Ibama, Anatel, Ministério da Agricultura ou outras autoridades.

    O Portal Siscomex recomenda que o importador consulte o tratamento administrativo aplicável à operação, já que determinados produtos podem exigir licença ou LPCO antes mesmo do embarque.

    Uma classificação incorreta pode resultar em custos adicionais, atrasos e até impossibilidade de desembaraço.

    Fonte: Portal Siscomex — Serviços e Informações do Brasil

    Importação simplificada ou importação formal?

    Outro ponto importante para quem começa a pesquisar como importar da China é entender que existem diferentes estruturas de importação.

    Importação simplificada

    A Declaração Simplificada de Importação, a DSI, pode ser utilizada em determinadas operações com valor de até US$ 3.000.

    A Receita Federal informa que esse limite considera o valor aduaneiro e admite a utilização da DSI em várias situações, inclusive para determinadas importações realizadas por pessoas jurídicas.

    Porém, isso não significa que qualquer compra empresarial abaixo de US$ 3 mil automaticamente seja uma "importação simplificada".

    Produto, finalidade, modalidade logística e demais características da operação precisam ser considerados.

    Também existem importações por remessa internacional realizadas por empresas de courier, como DHL, FedEx e UPS, sujeitas às regras específicas desse regime.

    Importação formal

    Operações maiores, cargas marítimas, contêineres ou projetos recorrentes normalmente seguem os procedimentos tradicionais de comércio exterior.

    Nesses casos entram etapas como transporte internacional, despacho aduaneiro, documentação comercial, classificação fiscal e registro da declaração de importação aplicável.

    O Brasil está em processo de migração da tradicional Declaração de Importação, a DI, para a Declaração Única de Importação, a Duimp. Essa transição ocorre gradualmente conforme cronograma definido pelo governo.

    É comum que empresas contem com agente de cargas, despachante aduaneiro e assessoria especializada para coordenar essas etapas, embora a necessidade e o formato de participação desses profissionais dependam da operação. Modalidades como a importação por conta e ordem e a importação por encomenda permitem operar com segurança mesmo sem estrutura própria.

    Fonte: Receita Federal — Serviços e Informações do Brasil

    Como importar da China na prática?

    De forma resumida, uma importação empresarial bem estruturada passa por uma sequência lógica:

    1. regularização e análise da empresa;
    2. habilitação no Siscomex quando necessária;
    3. definição do produto;
    4. classificação fiscal e análise das exigências brasileiras;
    5. pesquisa e validação de fornecedores;
    6. solicitação de amostras e negociação;
    7. levantamento de peso, medidas, quantidade e preço;
    8. simulação do custo total da importação;
    9. definição do frete e do Incoterm;
    10. fechamento do pedido;
    11. embarque internacional;
    12. despacho aduaneiro;
    13. nacionalização e entrega da mercadoria.

    O ponto central é que fornecedor, logística, tributação e desembaraço não devem ser analisados isoladamente. Uma visão de supply chain integrada evita decisões que encarecem a operação.

    Uma decisão tomada na negociação com o fabricante pode alterar todo o custo logístico e tributário da operação.

    Alibaba ou Canton Fair: onde encontrar fornecedores?

    O Alibaba é uma excelente ferramenta para prospecção, comparação e primeiros contatos.

    A Canton Fair adiciona outra camada à pesquisa.

    Na feira, diferentes fabricantes e fornecedores estão concentrados em um mesmo ambiente, permitindo visualizar produtos, comparar soluções, conhecer lançamentos e negociar diretamente.

    Para uma empresa que já sabe quais categorias procura, visitar a feira com planejamento prévio pode transformar vários meses de prospecção digital em poucos dias de reuniões e comparação de fornecedores.

    O risco está justamente em chegar à Canton Fair sem uma estratégia.

    A dimensão da feira é enorme. Sem briefing, categorias prioritárias, critérios de fornecedor e objetivos comerciais definidos, é fácil voltar para o Brasil com dezenas de catálogos e poucas decisões concretas.

    Importar da China começa antes da viagem

    Uma importação eficiente começa muito antes do embarque da mercadoria e, quando existe uma viagem à China, muito antes de entrar no primeiro pavilhão da feira.

    É necessário entender o que a empresa procura, qual faixa de preço faz sentido, quais produtos podem ser importados, quais fornecedores devem ser priorizados e qual será o custo estimado da operação brasileira.

    Esse planejamento transforma a busca por produtos em um projeto de sourcing e importação.

    Imersão China Fróes 2027

    Para empresas que pretendem conhecer fornecedores e oportunidades diretamente na origem, o Grupo Fróes está preparando a Imersão China Fróes 2027, durante a 141ª Canton Fair, em Guangzhou.

    A proposta é uma viagem de negócios com preparação antes da China, acompanhamento durante a feira e suporte na análise das oportunidades após o retorno.

    São 20 empresas por fase, com atendimento próximo e planejamento voltado aos objetivos de cada participante.

    A China abre possibilidades. O Grupo Fróes concretiza.

    Fale com nossa equipe e conheça a Imersão China Fróes 2027.

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