
A transformação do comércio exterior brasileiro entrou em uma fase mais prática e menos conceitual. A substituição gradual da Declaração de Importação (DI) pela Declaração Única de Importação (DUIMP) já exige mudanças concretas em cadastros, sistemas, processos internos e rotinas fiscais das empresas importadoras.
A DUIMP faz parte do Novo Processo de Importação e foi criada para concentrar informações que antes estavam espalhadas em diferentes etapas e sistemas. Na prática, porém, a modernização também aumenta a responsabilidade das empresas sobre a qualidade e a consistência dos dados informados.
A transição da DI para a DUIMP já está em andamento
A migração para a DUIMP ocorre de forma gradual e segue o cronograma de desligamento da antiga DI.
A mudança não representa apenas uma nova tela ou um novo formulário. Empresas precisam revisar cadastros, fluxos operacionais, integrações entre sistemas e procedimentos internos para garantir que as informações exigidas estejam disponíveis de forma correta no momento do registro.
Um dos pontos centrais dessa nova lógica é o Catálogo de Produtos, que passa a concentrar informações detalhadas sobre as mercadorias importadas.
A empresa precisa garantir que descrição, atributos, classificação fiscal e demais informações estejam completas e coerentes, já que esses dados podem ser utilizados tanto na declaração quanto em processos de licenciamento e controles administrativos.
Fonte: Associação Comercial e Industrial de Campinas
Catálogo de Produtos deixa de ser cadastro acessório
No modelo anterior, muitas informações eram tratadas operação a operação. Com a DUIMP, o cadastro prévio dos produtos ganha papel mais relevante.
Isso significa que erros de descrição, divergências de atributos ou classificações incorretas podem impactar diferentes etapas da importação.
A qualidade do cadastro deixa de ser apenas uma preocupação operacional e passa a fazer parte da própria estratégia de conformidade da empresa — o foco da gestão aduaneira.
Para importadores com grande variedade de produtos, a revisão desses dados pode se tornar uma das etapas mais importantes da adaptação ao novo processo.
Fonte: Associação Comercial e Industrial de Campinas
Reforma Tributária passa a aparecer dentro da DUIMP
A DUIMP também começou a incorporar as alterações relacionadas à Reforma Tributária do Consumo.
Desde 27 de setembro de 2026, o ambiente de produção do Portal Único passou a contar com novas informações necessárias para IBS e CBS. Entre elas estão a UF e o município do local da operação de consumo para cada item da declaração.
Outra mudança importante está na determinação dos códigos CST e cClassTrib.
Esses códigos deixam de depender do preenchimento direto pelo importador e passam a ser definidos pelo próprio sistema a partir dos fundamentos legais selecionados na operação.
A automação reduz uma etapa manual, mas aumenta a importância da escolha correta do fundamento legal — especialmente para empresas que utilizam benefícios fiscais ou estratégias de redução de ICMS.
Vale destacar que a disponibilização dessas alterações na DUIMP não significa cobrança imediata de IBS e CBS. O Siscomex informa que não haverá recolhimento desses tributos antes de 1º de janeiro de 2027.
Fonte: Portal Contábeis e Portal Único Siscomex
Sistemas internos também precisam acompanhar a mudança
A transição para a DUIMP exige atenção especial das empresas que trabalham com ERP, softwares de comércio exterior e integrações automatizadas.
O problema deixa de ser apenas "preencher corretamente a declaração". Os dados precisam circular de maneira consistente entre áreas como compras, fiscal, tributário, logística, despacho aduaneiro e tecnologia.
Quanto maior o volume de operações, maior a necessidade de integração entre esses sistemas.
A própria implantação de novos campos relacionados à Reforma Tributária reforça a necessidade de revisar APIs e integrações utilizadas para troca de dados com o Portal Único.
Fonte: Portal Contábeis
Consultas automatizadas à DUIMP passam a ter limite
Outro ponto importante para empresas que utilizam integração com o Portal Único é a limitação das consultas automatizadas à DUIMP.
O Siscomex anunciou a aplicação de um limite de 1.000 consultas por hora, por usuário, para esse tipo de acesso.
A orientação oficial é evitar consultas repetidas aos dados completos quando não houver alterações na declaração.
Para isso, empresas podem utilizar gratuitamente o IntegraComex para verificar a data da última alteração da DUIMP antes de realizar uma nova consulta completa.
Também é possível utilizar notificações por webhook para acompanhar mudanças de status das operações sem depender de consultas constantes.
Na prática, isso exige que sistemas próprios e fornecedores de tecnologia sejam preparados para trabalhar com uma lógica mais eficiente de atualização de dados.
Fonte: Portal Único Siscomex
DUIMP aumenta a importância da conformidade
A modernização do processo tende a reduzir retrabalho e concentrar informações, mas também torna inconsistências mais visíveis.
Quando cadastros, classificação fiscal, fundamentos legais e informações comerciais passam a estar integrados, problemas de qualidade de dados podem se propagar por toda a operação.
Por isso, a preparação para a DUIMP não deveria ficar restrita ao departamento de importação.
Fiscal, tributário, tecnologia, compras, logística e parceiros externos precisam trabalhar com critérios comuns de cadastro e validação.
Tecnologia passa a ser parte da operação aduaneira
O novo ambiente de comércio exterior brasileiro reforça uma mudança maior: tecnologia e conformidade estão cada vez mais conectadas.
APIs, Catálogo de Produtos, integração com ERPs, automações e validações sistêmicas deixam de ser apenas recursos de produtividade e passam a influenciar diretamente a capacidade da empresa de registrar e acompanhar suas importações.
A empresa que mantiver dados organizados e processos integrados tende a se adaptar com mais previsibilidade. Já operações dependentes de controles manuais e informações espalhadas entre sistemas podem enfrentar mais retrabalho durante a transição.
O que as empresas deveriam revisar agora
Antes que novas etapas do cronograma entrem em vigor, importadores deveriam revisar principalmente:
- cadastros de produtos no Catálogo de Produtos;
- classificações fiscais e atributos por NCM;
- integração entre ERP e sistemas de comércio exterior;
- fundamentos legais aplicáveis às operações;
- rotinas de consulta automatizada à DUIMP.
Também é importante validar com despachantes, fornecedores de tecnologia e equipes internas quem será responsável por cada informação ao longo do processo. A revisão do RADAR e da habilitação no Siscomex é um bom ponto de partida.
A DUIMP não muda apenas a forma de declarar uma importação. Ela altera a maneira como os dados da operação são estruturados, compartilhados e validados.
Para empresas que importam regularmente, preparar esses processos com antecedência pode reduzir riscos, retrabalho e interrupções durante a migração. Quem ainda não tem estrutura própria pode operar via importação por conta e ordem ou por encomenda. E, para quem está começando, vale ler nosso guia como importar da China.
A Fróes Trade acompanha as mudanças do Novo Processo de Importação e apoia empresas no planejamento e execução de suas operações de comércio exterior.
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