
O comércio exterior brasileiro começa novembro com mudanças relevantes para empresas, indústria e consumidores.
A participação dos produtos importados no mercado brasileiro atingiu um novo recorde, a DUIMP já concentra a maior parte das operações de importação e o setor automotivo discute novas medidas diante do forte crescimento dos veículos vindos do exterior.
Ao mesmo tempo, mudanças tributárias previstas para 2027 e novas regras para veículos eletrificados exigem atenção de quem acompanha o mercado internacional.
Importados atingem recorde e chegam a 28,3% do consumo brasileiro
A presença de produtos estrangeiros no mercado brasileiro atingiu o maior nível da série histórica acompanhada pela Confederação Nacional da Indústria.
Em 2025, o coeficiente de penetração das importações chegou a 28,3%, avanço de 1,6 ponto percentual em relação ao ano anterior. O indicador representa a participação dos produtos importados no consumo brasileiro.
A China também ampliou sua presença. Os produtos chineses chegaram a representar 10,3% do consumo aparente da indústria de transformação, com destaque para equipamentos de informática, eletrônicos e produtos têxteis.
Outro dado relevante está nos insumos industriais: 25,8% dos insumos utilizados pela indústria brasileira foram importados, também o maior percentual da série histórica.
Os números mostram como fornecedores internacionais passaram a ocupar uma parcela cada vez mais relevante das cadeias produtivas e do consumo brasileiro.
Fonte: Brasil 61 / Confederação Nacional da Indústria
DUIMP já concentra mais de 80% das operações de importação
A migração para o Novo Processo de Importação segue avançando.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentados ao Comitê Nacional de Facilitação do Comércio, mais de 80% das operações brasileiras de importação já eram registradas por meio da Declaração Única de Importação, a DUIMP.
A declaração está substituindo gradualmente a antiga DI e concentra diferentes informações da operação em um ambiente digital integrado.
O próximo avanço importante está previsto para dezembro de 2026, quando determinadas operações rodoviárias deverão migrar exclusivamente para a DUIMP e para o CCT Importação.
Para empresas importadoras, isso aumenta a necessidade de revisar sistemas, cadastros, processos internos e integração entre áreas como fiscal, logística, compras e comércio exterior. Já explicamos em detalhes como a DUIMP muda o processo de importação e exige nova preparação das empresas.
Fonte: Feed&Food / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
Importação de veículos cresce 30,4% e montadoras discutem cotas
O crescimento dos veículos importados entrou novamente no centro das discussões entre montadoras e governo.
Entre janeiro e setembro de 2026, foram licenciados 463,9 mil veículos importados no Brasil, crescimento de 30,4% na comparação com o mesmo período de 2025.
Os veículos eletrificados representam boa parte desse movimento. Foram 262 mil unidades elétricas ou híbridas importadas nos primeiros nove meses, alta de 82,7%.
A China aparece como principal origem: 254,9 mil veículos chineses chegaram ao mercado brasileiro no período, crescimento de 106,4%.
Diante desse cenário, representantes da indústria apresentaram ao governo propostas que incluem salvaguardas comerciais, sobretaxas e até a possibilidade de cotas específicas para veículos chineses.
Uma das propostas discutidas prevê uma cota equivalente a 2,5% a 3% do mercado brasileiro, aproximadamente 75 mil a 90 mil veículos por ano, para empresas sem produção local.
Até o momento, porém, não há decisão definitiva sobre a adoção dessas medidas.
Fonte: Automotive Business
Mesmo com imposto de 35%, montagem de elétricos chineses continua competitiva
A tributação dos veículos eletrificados também está mudando a estratégia das fabricantes.
Desde julho de 2026, veículos eletrificados importados em regime SKD, parcialmente desmontados, passaram a enfrentar alíquota de 35%. Para os veículos CKD, completamente desmontados, a mesma alíquota entra em vigor a partir de janeiro de 2027.
O governo também estabeleceu uma cota de R$ 2,4 bilhões para importação de kits CKD e SKD com alíquota zero durante um período de seis meses.
Mesmo com o aumento tarifário, análises citadas pela publicação indicam que, para determinados modelos e volumes, importar componentes ou subconjuntos da China e realizar etapas de montagem no Brasil ainda pode ser economicamente competitivo.
A mudança tende a reduzir margens e alterar estratégias, mas não necessariamente elimina a vantagem de custo de determinadas operações.
Fonte: Quatro Rodas
“Taxa das blusinhas” não voltará em 2027, esclarece governo
Informações que circularam nas redes sociais indicavam que o Imposto de Importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50 voltaria em 2027.
Segundo o Governo Federal, essa informação é falsa. Não existe previsão de restabelecimento dessa cobrança dentro das regras atualmente vigentes para essas remessas.
O que muda em 2027 é a entrada da Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, prevista na Reforma Tributária.
A CBS incidirá sobre produtos nacionais e importados seguindo as regras gerais de tributação e substituirá tributos como PIS e Cofins. Portanto, trata-se de uma mudança na tributação sobre o consumo, e não da retomada de uma cobrança específica sobre compras internacionais de até US$ 50.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Importações avançam enquanto regras também se tornam mais complexas
As notícias desta semana revelam duas tendências acontecendo simultaneamente.
De um lado, produtos estrangeiros ocupam uma parcela cada vez maior do consumo e da produção industrial brasileira.
Do outro, importadores enfrentam um ambiente que exige mais integração tecnológica, planejamento tributário e acompanhamento regulatório.
A consolidação da DUIMP, as discussões sobre cotas no setor automotivo, as mudanças nas alíquotas para veículos e a implementação da Reforma Tributária mostram que a competitividade de uma operação não depende apenas do preço negociado com o fornecedor.
Classificação fiscal, tributos, logística, tecnologia e estratégia comercial precisam ser analisados de forma conjunta.
Para empresas que importam regularmente ou pretendem entrar no comércio exterior, acompanhar essas mudanças é fundamental para antecipar riscos e identificar oportunidades. Se a sua empresa está começando, veja nosso guia sobre como importar da China passo a passo e os critérios para escolher fornecedores na China com segurança.
O FróesNews acompanha as principais transformações do comércio exterior, da economia e das relações comerciais que podem impactar empresas brasileiras e suas operações internacionais.
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