
O Brasil começa uma nova semana com mudanças importantes no cenário político e econômico, enquanto o comércio exterior mantém ritmo forte.
Relações com Estados Unidos e China voltam ao centro da agenda, as exportações brasileiras avançam mais de 30% em outubro, a carne bovina enfrenta uma nova barreira no mercado chinês e mudanças no câmbio, na inflação e no Siscomex exigem atenção das empresas.
Relações com Estados Unidos e China voltam ao centro da agenda brasileira
Após a eleição presidencial, a política externa e comercial brasileira volta a ganhar atenção, especialmente em relação às duas maiores economias do mundo.
A continuidade de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência mantém em evidência a estratégia brasileira de preservar relações comerciais relevantes tanto com a China quanto com os Estados Unidos. A China permanece como principal parceiro comercial brasileiro — tema que aprofundamos em Relação Brasil-China entra em nova fase —, enquanto os Estados Unidos continuam entre os mercados mais importantes para produtos e investimentos do país.
O cenário também envolve diferenças em temas como tarifas, política industrial e alinhamentos internacionais. Para empresas brasileiras, o ponto mais relevante será acompanhar como essas relações se traduzirão em acesso a mercados, investimentos, barreiras comerciais e oportunidades ao longo do próximo mandato. Veja também como as tarifas dos EUA já pressionam exportadores.
Fonte: Associated Press
Exportações brasileiras crescem 33,5% em outubro
As exportações brasileiras chegaram a US$ 21,04 bilhões até a terceira semana de outubro de 2026, crescimento de 33,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
As importações também avançaram, alcançando aproximadamente US$ 15,08 bilhões, alta de 21,5%. Como resultado, o país acumulou superávit comercial de US$ 5,96 bilhões no mês.
A indústria extrativa apresentou o maior crescimento proporcional, com avanço de 70,7%, seguida pela agropecuária, com 21%, e pela indústria de transformação, com 20,9%.
No acumulado do ano até a terceira semana de outubro, a corrente de comércio brasileira já alcançava US$ 543,03 bilhões — acima da marca histórica analisada em Comércio exterior brasileiro supera US$ 500 bilhões.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
China aplica tarifa adicional à carne bovina brasileira após cota ser atingida
Desde 1º de outubro, os embarques brasileiros de carne bovina destinados à China que ultrapassam a cota anual passaram a enfrentar uma tarifa adicional de 55%.
O Brasil atingiu a cota chinesa de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas destinada ao país em 2026. Com isso, a tarifa adicional se soma à alíquota regular de 12% aplicada à importação, elevando significativamente o custo para volumes que excedam o limite estabelecido.
A medida não é exclusiva contra o Brasil. Ela faz parte de um mecanismo de salvaguarda criado pela China para diferentes fornecedores de carne bovina, com o objetivo de proteger a produção doméstica.
Mesmo assim, o impacto merece atenção porque a China é o principal destino internacional da carne bovina brasileira.
Fonte: Reuters
Yuan alcança maior nível em quatro anos frente ao dólar
A moeda chinesa iniciou esta segunda-feira, 26 de outubro, atingindo seu maior valor frente ao dólar desde junho de 2022.
O yuan chegou a aproximadamente 6,67 unidades por dólar, acumulando uma sequência de valorização diante da moeda norte-americana.
Para empresas brasileiras que importam produtos chineses, o movimento merece acompanhamento.
Uma valorização do yuan pode alterar preços de negociação, especialmente quando fornecedores formam seus custos na moeda chinesa, ainda que muitas operações internacionais continuem sendo negociadas em dólar. Por isso, vale revisar a negociação com quem você compra — veja como escolher fornecedores na China.
Câmbio, portanto, continua sendo uma variável central na definição do custo final de uma importação. Um estudo de viabilidade ajuda a simular esse impacto antes de fechar o pedido.
Fonte: Reuters
Prévia da inflação desacelera para 0,32% em outubro
O IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial brasileira, registrou alta de 0,32% em outubro.
O resultado representa desaceleração em relação aos 0,70% registrados no mês anterior e ficou abaixo das expectativas de mercado consideradas antes da divulgação.
No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,62%.
Para empresas ligadas ao comércio exterior, inflação, juros e câmbio estão diretamente conectados ao planejamento financeiro das operações, podendo influenciar formação de preços, capital de giro e decisões sobre novos investimentos. Soluções como o alívio de fluxo de caixa ajudam a preservar o capital da empresa.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Mercado volta atenção para cenário fiscal e política econômica
O resultado das eleições também colocou novamente a política fiscal brasileira no centro das avaliações do mercado.
Investidores acompanham as sinalizações sobre gastos públicos, trajetória da dívida, política econômica e composição da equipe responsável pela condução do próximo mandato.
As primeiras reações dos mercados mostraram aumento da volatilidade em ativos brasileiros e no câmbio.
Para importadores e exportadores, essas oscilações merecem atenção porque alterações relevantes no dólar podem mudar rapidamente a viabilidade de contratos, preços de venda e custos de mercadorias adquiridas no exterior. Conheça estratégias de redução de custos na importação.
Fonte: Reuters
Portal Único Siscomex recebe nova rodada de atualizações
O Portal Único Siscomex também entra em uma nova etapa de atualização.
A chamada Release Azuis está programada para entrar em produção em 31 de outubro de 2026 e inclui novas funcionalidades relacionadas ao Novo Processo de Importação — entenda em DUIMP muda o processo de importação —, além de adequações ligadas à Reforma Tributária do Consumo.
Empresas que utilizam integração via API precisarão observar as alterações técnicas e adaptar seus sistemas quando necessário.
O Siscomex também publicou novas orientações relacionadas ao acordo Mercosul-EFTA. Entre elas estão regras para cotas de importação e exportação e procedimentos vinculados ao comércio com Islândia e Noruega.
Essas mudanças reforçam a digitalização progressiva dos processos aduaneiros brasileiros e a necessidade de acompanhamento constante por empresas que operam no comércio exterior — papel da gestão aduaneira e do despacho aduaneiro. Confira também o acordo Mercosul-União Europeia.
Fonte: Portal Único Siscomex
Comércio exterior começa a semana entre crescimento e novas variáveis
Os números mostram um comércio exterior brasileiro em expansão, mas inserido em um ambiente cada vez mais complexo.
Enquanto as exportações crescem e a corrente comercial brasileira avança, empresas precisam acompanhar simultaneamente relações políticas internacionais, novas tarifas, oscilações cambiais, inflação e mudanças nos sistemas utilizados nas operações.
A competitividade passa, portanto, por algo além de encontrar bons fornecedores ou novos compradores. Quem quer conhecer fabricantes pessoalmente pode participar da Imersão China 2027 na Canton Fair.
Planejamento tributário, inteligência de mercado, logística, tecnologia e acompanhamento regulatório se tornam partes do mesmo processo.
O FróesNews acompanha os principais movimentos do comércio exterior, da economia e das relações internacionais que podem impactar empresas brasileiras e suas operações no mercado global. Precisa de apoio na sua operação? Solicite uma cotação.


